Uma corrente de estórias que ficam na minha história!

fevereiro 27, 2005

Novo caminho...


Jim Warrem - Stairway to Heaven

A vida é uma passagem. E os caminhos que ela nos oferece são simples instrumentos dessa passagem.
Por vezes passamo-los sem se saber que os passámos, por outras, passamo-los colhendo todo o bom e todo o mau dessa mesma passagem.
Mas é sempre passagem. É sempre caminho. É sempre aprendizagem e vivência, mesmo quando se passa sem realmente se ter passado.
Há algum tempo que já vinha a passar pelo mesmo caminho. Não gosto de trilhar o que já experimentei porque me desvia de novos caminhos. E este já foi percorrido. Chegou ao fim. Levou-me a muitos e bons lugares. Principalmente a um. Porto amigo de boa esperança, solidário e sensível, que me fez pensar e sentir que outras passagens podem e devem ser possíveis no meu caminhar e por onde me tenho detido por largos e bons momentos de descoberta. Para ti, que me tens dado a mão nesses momentos de caminhada, obrigado pela cumplicidade dos afectos.
Mas, porque caminhar faz parte do ser, havemos de nos cruzar por outras passagens da vida, certamente!
Até já...

Antonio San

fevereiro 26, 2005

Foi ele...

O grande culpado da vaca ficar louca.


Antonio San

fevereiro 24, 2005

Isto não se faz...

É com a alma apertada e o coração a sangrar que me atrevo a contar-vos o que presenciei.
Passou-se durante uma festa, mas foi tão marcante, que ainda hoje tenho pesadelos quando penso no que vi.
Caríssimas(os) o que aqui fica relatado não é mais do que o fruto desta civilização, devassa, desgovernada e global em que estamos mergulhados e perdidos. O que aqui fica relatado é um atentado à integridade de qualquer um enquanto ser livre. O que aqui fica relatado é o conjunto de atitudes que de cívicas nada têm e de comportamentos socialmente reprováveis. O que aqui fica relatado é, por fim, o desmoronar de todo um mundo de fantasia em que fomos criados. Preparem-se porque o que aqui vai ficar relatado é grave, triste, inadmissível e perturbador.
Considerem posta uma bolinha vermelha no canto superior direito do vosso monitor. Aos cardíacos e mais sensíveis desaconselha-se veementemente a leitura deste relato. Aos mais afoitos recomenda-se uma caixinha de lenços de papel ao lado e um xanax à mão em caso de necessidade.
Então foi assim...
Ela entrou ondulante no salão. Provocante, já se vê. Linhas perfeitas num corpo perfeito. Pele luzidia, rabo sinuoso e grande. Passava e ondulava. Deixava atrás de si o perfume característico de fêmea que se quer desejada. Os machões no local mediam hipóteses e sonhavam delírios. E ela passava, requebrando, agitando a multidão máscula. Propósitos pouco católicos é certo, mas era uma senhora. Mamas de fora, é certo, mas lindas, perfeitas. Um monumento de sensualidade.
Encostou-se ao balcão e, com voz forte mas segura, pediu uma cerveja. Bebida pouco recomendável a uma "lady", mas ninguém levou a mal. Sentou-se em gestos provocatórios e a beleza realçava mais quando cruzava e descruzava as esguias pernas em gestos de ardor. Os machos rodeavam-na com olhares lascivos de desejo.
Não tardaram os comentários entre dentes mas audíveis apesar do barulho da música:

-Ganda vaca!
-Boa comó o milho!
-Éh pá... olha-me pr'àquelas tetas, pá...
-Que monumento, aquilo não é uma vaca, é uma vacalhona.

Eu ouvia, discordava e reprovava aqueles juízos. Quando muito seria uma vitelita inexperiente. Arriscaria mesmo, que seria a sua primeira vez de exposição pública em semelhantes preparos.

Ela levantou-se, dirigiu-se à pista de dança e, em requebros provocantes, foi abrindo alas por entre roços e apertos dos menos comedidos. Abandonou-se frenética aos ritmos quentes do samba. Quebrava e requebrava nos ritmos exóticos. Ondulava odalisca em danças púbicas e mexia profundo nos desejos porno dos que a observavam. Estava positivamente de cornos no ar. O seu rabo fazia rodopiar olhares tontos, extasiados e as mamas ao léu, suscitavam os mais pecaminosos desejos. Era a rainha da pista. Só e abandonada aos seus encantos, rapidamente atraiu uma pequena multidão de tarados à sua volta. Aumentaram o tom e o ritmo dos comentários e não tardaram a chegar os convites mais ousados:

- Deixa-me cobrir-te minha vaca.
- Que lindo rabo tens, minha vaquinha louca.
- Deixa-me mugir-te essas tetas lindas.
- Não queres dar o litro comigo? Olha que eu sou meiguinho.
- Punha os cornos à minha gata contigo, vitela dos meus sonhos.
- Deixa-me passar-te a mão pelo lombo, deixas?
- Que chicha tão boa a tua, deixa-me comer-te.
- É contigo que sonho todas as noites.

Eu, apreensivo, observava. A coisa só podia dar para o torto. Tanto mais que ela, irrepreensivelmente senhora, não ligava e ondulava cada vez mais aquele naco de anca provocativo.
Estava a gostar, claro. Quem não gosta de ser adulado e o centro de todas as atenções?

Eis se não quando, ela desaparece do meu horizonte, afundada na corja que à sua volta se juntou. "Coitada", pensei. As tropelias que lhe irão fazer.
E tinha razão, meus caros, infelizmente tinha razão. Tudo ao molho, ou cada um por sua vez, todos a assediaram e apalparam e abusaram e nela se esfregaram.
Chocou-me vê-la assim, indefesa no meio da corja de abusadores bárbaros, sem princípios nem respeito por uma "lady", por muito vaca que parecesse ser.
Agarraram nela e, em orgias de alegria, lá a iam mandando ao ar acompanhando o triste ritual com grunhidos fortes. Cenário constrangedor.
Ela, coitadinha, vendo-se atirada para aquele turbilhão de malfeitores, indefesa e em perigo, com grande altruísmo, lá ia fingindo que eles lhe estavam a ensinar novos ritmos e lá fazia crer que os aprendia, sabe Deus à custa de que sacrifícios. Manteve-se com grande carácter e personalidade, sofrendo todas as sevícias, esboçando, a custo, o seu mais fingido ar de divertimento e, sensualmente, como só uma senhora o sabe fazer, lá ia soltando uns indeléveis gemidos de contentamento.
Mas, senhores, o que mais me chocou foi o facto de ali, naquele instante, à vista destes que a terra há-de comer, ver desmoronar todos os meus sonhos e fantasias de criança quando, abismado e sem palavras, vejo o Pato Donald a apalpar as tetas à mocinha.
Isto para já nem referir as atitudes pornográficas do Peter Pan e de nem sequer me passar pela cabeça contar-vos o comportamento do Corcunda de Notre Dame. Deplorável, simplesmente deplorável. Um atentado aos costumes e boas maneiras.
Julgava eu ter acabado de ver ruir o mundo à minha volta quando, sem esperar, fiquei gélido ao ver a abelha Maia e a Pipi das meias altas a fazerem convites indecorosos à pobre e massacrada criatura. A minha forte formação moral impede-me de vos mencionar, sequer, as atitudes inenarráveis que o gato Silvestre (muito amigo do Piu-Piu, vejam bem) teve perante o acontecido. Em vez de apaziguar ânimos, exaltou-os e exaltou-se a ele.
Tudo isto, senhores e senhoras, nas barbas de um bispo que, embriagado de alegria, abençoava o decorrer dos acontecimentos.
Não aguentei mais e cai para o lado. Já não se pode confiar na herança cultural dos bonecos animados dos nossos tempos.
Anda tudo passado. Já não há moralidade.
Para testemunhar o meu vivo repúdio por atitudes tão deploráveis, aqui fica a foto da pobre mocinha, vandalizada no seu mais recôndito âmago. Ainda bem que acabou o baile de Carnaval.
Não deverá haver psiquiatra que lhe valha, tal o estrago psico-emocional que lhe foi inferido... coitadinha. E depois perguntam vocês como é que as vacas ficam loucas...


Antonio San

fevereiro 22, 2005

Para quem não tiver muito tempo...

... mas queira manter a cultura em dia, cá vão uns "links" para alguns filmes clássicos que todos devíamos ter visto e/ou revisto.

Divirtam-se, cada um só dura 30 segundos!

Titanic

O Exorcista

The Shining

Alien

Tubarão

fevereiro 21, 2005

Voltei

Não porque alguém me tivesse dito que estava perdoado e que poderia voltar.
Também não por ter terminado algum retiro espiritual (antes tivesse sido), como foi aventado.
Voltei porque só esta madrugada é que o meu computador teve alta.
Pois é... ficou gravemente enfermo de uma, ou duas, ou três, (perdi-lhes a conta) viroses. Mais concretamente, e para resumir, virose múltipla, que o (me) incapacitou da convivência mundana virtual já que teve de ser internado, com direito a soro e tudo.
Tadinho (de mim, claro). Fez tratamento intensivo com um novo antibiótico (um tal de anti-vírus qualquer coisa), curas de sono e repouso absoluto. Internamento em quarentena (ala das infectocontagiosas), cuidados intensivos, nova alimentação, etc, etc.
Bom... lá se safou (e eu também... ao preço a que eles andam, vai lá, vai) e já está como novo (por enquanto, figas), portanto, mal possa, começo a "postar", fica já prometido.
Perdi todos os contactos que tinha, portanto façam o favor de os reenviar se não for muita maçada.
Até lá, aqui fica um abraço e um beijo para serem distribuídos respectivamente pelos amigos e pelas amigas.
E, obrigado pela preocupação.

fevereiro 14, 2005

Homenagem


Irmã Lúcia
Hoje era para "postar" um texto, mas decidi que devia prestar homenagem à figura da Irmã Lúcia e a tudo o que ela representa para o Universo Católico.
Que descanse em paz.
Antonio San

fevereiro 04, 2005

Apelo à solidariedade dos amigos

A freira (pitosga) falava, falava, falava. O grupo de reclusos e técnicos ouvia com atenção. Havia uma série de livros, terços, medalhas, porta-chaves, santas e posters para serem distribuídos pelos rapazes. Pouca coisa comparada com o muito que se pode encontrar na paz espiritual.
E lá ia falando a freira (pitosga) para deleite da audiência, até meu, confesso.
- Agora vou pedir-vos o vosso número e nome para vos podermos escrever, está bem?
E lá foi ela, armada de papel e caneta, de cadeira em cadeira, falando com cada um, dando uma palavrita aqui, outra ali, um sorriso maternal a este, outro àquele.
Eu, enroscado na cadeira, sentindo um frio de rachar, braços cruzados a tentar impedir a saída do pouco calor que o blusão aprisionava, cachecol enrolado ao pescoço como tampão, mas até me sentia em paz e bem comigo mesmo.
- Então meu filho, diz-me lá, qual é o teu número e o teu nome?
- Eu???? Mas… mas eu não sou recluso!
- Todos somos reclusos de alguma coisa na vida, meu filho, eu imagino que deva ser penoso, por isso é que te queremos escrever.
- Mas eu não sou…
Ela olhou para o meu colega, devidamente identificado, por ela, como não recluso, pela alegria do olhar (têm cada uma...), como quem pede confirmação do que eu dizia.

O sacana, em sussurro, tirou-lhe as dúvidas todas:
-Ele é muito revoltado irmã. Um caso muito complicado. Ainda não aceita… percebe?
E piscava-me o olho sorridente, em gestos escondidos do olhar confundido da freira (pitosga).
Para ajudar à festa (que nestas coisas os amigos estão sempre lá para dar apoio), os mastronços dos professores de educação física, lá iam debitando mais e mais na minha já precária situação. A freira ouvia atentamente, olhava para mim de soslaio e abanava a cabeça com ar piedoso de pena.

Arrastei-me até ao carro como pude. Ego desfeito, interior despedaçado, força anímica para lá da reserva.
Olhei-me no retrovisor e não reconheci a mesma cara que tinha visto ao espelho da manhã. De repente aquela barba de dois dias, ao estilo Jorge Coelho, deixou de estar na moda e de me dar um ar intelectual. Passou para lá da fronteira do indigente. As rugas de expressão, que tão bem me ficavam, eram crateras sem fundo. Para ai umas quinhentas e tal. Estava pálido, esquálido, uma sombra de mim mesmo.
Como pode uma freira (pitosga) destruir-nos em tão pouco tempo?

Felizmente o carro já sabe o caminho até casa e ainda bem, porque se dependesse só daquilo a que me reduziram, teria galgado a primeira berma da estrada.

Gatinhei até ao espelho da manhã com esforço e alguma esperança, mas já não estava encantado, mostrava-me o mesmo indigente em que me tinham transformado.

Recobrei alguma auto-estima e folheei avidamente as páginas amarelas… clínicas….rejuvenescimento…. liftings…qualquer coisa…
- Tem a certeza que é assim tão caro???.... ahhh, não acha caro??? …. Promoção de Inverno a esses preços??? Está a brincar comigo, não... E uns botockzitos, quanto custam? …TANTO??????

Amigos, estou em desespero, entrei em depressão e em depressão não posso contribuir para a recuperação deste país. Estou um caco (segundo opinião não expressa verbalmente pela freira pitosga), teso e sem capacidade de me reencontrar.
Apelo à solidariedade de todos. Abri uma conta na CGD para que possam contribuir com o vosso vil metal para uma causa nobre e santa: a minha paz de espírito e o reencontro comigo mesmo.

Se for preciso, até crio uma fundação para o efeito e passo-vos um recibo a dizer "donativo" para descontarem no IRS.

Passem esta mensagem a todos os vossos amigos e terão as bênçãos da freira (pitosga).

Não passem e terão rugas sem fim e uma freira (pitosga) a pedir-vos o nome e o número para vos escrever longas cartas, todos os dias, com envelopes selados para a resposta, até ao fim dos vossos dias.
E, já agora, avisem o Jorge Coelho que barba de dois dias já não está com nada e que evite receber freiras (particularmente as pitosgas) em qualquer estação do ano, especialmente no Inverno.

 

Passaram pela re-Corrente

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